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Executivos já recusam ofertas de emprego de empresas sem compromisso social Imprimir

Talvez você conte com os dedos de uma mão só o número de conhecidos seus que disseram ‘não’ a uma proposta de emprego. Ou talvez não conheça nenhum. Mas, segundo headhunters, essa prática tem se tornado comum de tempos para cá. Cada vez mais pessoas estão preocupadas não somente com o que suas empresas produzem, efetivamente, mas também com os valores que elas transmitem para funcionários e a comunidade local.

Essa inquietação está dando início a um fenômeno interessante: a recusa por propostas de trabalho a depender do nível de responsabilidade social da empresa contratante. A cobrança é ainda maior por parte de quem está atualmente empregado, de acordo com Benedito Borghi, diretor da consultoria Lopes & Borghi. Ou seja, para ‘roubar’ alguns talentos de outras companhias, também é necessário ter um currículo de atuação responsável aos olhos dos candidatos.

Segundo o diretor, o número de pessoas que recusa uma proposta de trabalho melhor, em termos de salário e benefícios, está crescendo consideravelmente, apesar de ainda ser muito baixo. A maioria, por sua vez, é formada por profissionais que ocupam cargos muito altos ou a partir da média gerência e estão empregados. “Estes executivos estão preocupados com o que a empresa faz, qual o nível de responsabilidade social, se cumprem e seguem códigos de ética bem definidos, etc.”, diz Borghi.

O headhunter conta um caso que presenciou em 2000. Na época, ele convidou um executivo para assumir a vaga de diretor-presidente de uma multinacional norte-americana. “Ele me disse que só sairia da empresa em que estava se a nova companhia tivesse algum tipo de programa de responsabilidade social implantado ou em vista”, comenta. Como esse não era o caso, o profissional preferiu negar a nova oportunidade, mesmo com os benefícios que o novo cargo oferecia.

Para consultores como Borghi, apenas uma marca forte no mercado e um nome de peso nem sempre são suficientes para atrair bons colaboradores. Eles procuram colaborar com a sociedade, se atrelando a companhias com valores sociais. “Pode parecer estranho, mas existem executivos que consideram os valores corporativos, como respeito aos empregados e integridade, requisitos muito fortes”, explica o consultor. A estranheza se dá porque em muitos casos, há vícios corporativos que ainda permeiam as vidas dos profissionais, como companhias que dão pouco valor à cultura organizacional ou não se preocupam com questões relativas à governança.


Fonte: Diário OnLine

 
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